terça-feira, 8 de maio de 2012

***Do meu alter ego, apenas por diversão. Nada aqui escrito pode ser lido como verdade. É apenas arte!


Ás vezes sinto uns ódios estranhos. Ontem foi assim. Vim para o trabalho com um gosto amargo na boca. Gosto de fel. Entrei na garagem do Edifício Santanna sem querer esperar as pessoas saírem da frente do carro na calçada. Malditos apressados. Como gostaria de atropelar aquela velhinha de bengala e com lencinho azul na cabeça. Ela olhou pra mim no carro, sorriu enrugada e desdentada como se quisesse minha compreensão e paciência. Que desgraçada! Saia já da frente do meu carro sua inútil. Já viveu tudo o que tinha para viver porque insiste em atrapalhar a vida alheia enquanto dá seus medíocres e diminutos passos, pé ante pé, numa velocidade de irritar até o mais lerdo dos aleijados? Morra sua velha inútil! Não percebe que é um peso para os seus familiares e para o governo que tem que pagar sua doença maldita! Enfim... ela passou. Entrei no edifício com meu automóvel, passei meu cartão no sensor e a cancela abriu. Subi a rampa projetada pelo engenheiro mais filho da puta que já existiu com os faróis acesos e fazendo barulho. Na curva da rampa o porteiro me acena. Finjo que não vejo. Não é de hoje que suporto esse verme me acenando todos os dias como se quisesse dizer: bem vindo ao inferno. Não agüento mais aquele sorriso irônico e ignorante. Que idiota. Não sabe nada da vida. Nem sabe porque sorri. Vê-se claramente que é mais um daqueles pobres que não almejam e nem ambicionam nada na vida. Fica o dia inteiro acenando para os carros e fingindo que está fazendo a segurança do edifício. Que piada meu Deus do Céu! What a joke! Tell me another mas não me coloque novamente frente a frente com esse porteiro pobre e fedido. Aliás, alguém pode me dizer porque acabaram com os elevadores de serviço? Já me peguei no mesmo elevador que esse porteiro em duas ocasiões. Segurei o vômito até a chegada do meu andar. E ele ainda tentou fazer piada comigo sobre o Flamengo. A medida que sua boca se abria exalava um odor que me enoja e me deixa com náuseas até agora, enquanto relembro e escrevo essas linhas. Sabe o que fiz? Passei a subir de escadas. Qualquer coisa é melhor que estar no mesmo elevador daquele porteiro fedido e feliz.




08 de maio de 2012, por “Roberto Macedo”.

Juiz de Fora, 08 de maio de 2011.




Faltam exatos 7 meses pra eu completar 36 anos! E daí? Não to nem aí. Nem queria estar escrevendo sobre isso agora. Acontece que comecei a escrever porque estou com preguiça de trabalhar hoje. Muita preguiça de começar a escrever qualquer coisa relacionada a algum direito que não o meu. Abri o Word e pensei - vou escrever sobre qualquer coisa para me distrair! Foi então que iniciei a primeira fase desta página e me deparei com essa data, 08 de maio. Imediatamente e automaticamente o algarismo 08 remeteu-me ao dia do meu nascimento, naquele já longínquo oito de dezembro... Quanto tempo se passou desde então, quantas aventuras e desventuras vividas e sobrevividas. E quantas mais ainda estarão por vir... Isso não deveria ser uma afirmação ou exclamação mas sim uma interrogação. Repito, portanto: quantas mais ainda estarão por vir? Não sei. E você, sabe? Tenho certeza que também não. Talvez poderá chutar um número qualquer ou, de modo mais apropriado, dizer algo bem subjetivo achando ainda que estás a fazer poesia... alguma coisa tipo, “viverá quantas lhe forem permitidas saborear”.. Humpf! Poupe-me de positividades pueris e imbecis. Não hoje que já estou por demais enfastiado do comum. Ando cansado dos seres humanos. Ando cansado desta limitação purulenta que nos foi imposta sabe se lá por quem e porquê de não sabermos o que nos acontecerá depois de tudo ter passado. É, estou falando da morte sim! Ela vem, chega mais perto a cada dia que passa. Nada mais óbvio que isso. Nada mais certo também. Mas de uma certeza incerta, incompleta. Quando, como? Somos interrogações gigantes fingindo ser evoluídos. Fomos a lua, nos comunicamos pelo ar com o outro lado do mundo em questão de minutos mas..e depois disso tudo? E depois de ter chorado tanto, sorrido, comido, esporrado, gritado, lambido? Pois é, que chatice viver fingindo algo. Fingindo que somos eternos. Tenho dores de coluna! Isso é real! O resto? Se não sinto ou não enxergo e toco, pra mim é ilusão.





Rodrigo Mendes, 08 de maio de 2012.