quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sem nexo

Juiz de Fora, 05 de agosto de 2010.




Ando nas ruas a observar os personagens: percebo os trejeitos dele, o andar daquela, a fala do outro adiante. Todos têm no olhar, no andar e no respirar uma ânsia de chegar a algum ponto, abstrato ou concreto, como se alguma energia os direcionasse pra esse local.

Penso q estão todos iludidos, imersos no grande e profundo lago da vida!

Eu, cá estou, mais vazio que ovo podre da galinha. Sem saber o que escrever e deixo meus dedos tocarem o teclado do computador como se uma outra energia também os direcionasse para a escrita.

Não penso, apenas escrevo sem parar o que meus dedos querem, não tenho força para controla-los.

As palavras aparecem e rabiscam de tinta o papel a ser impresso daqui a pouco na matricial;

isso eu inventei agora.

Também não importa o que é real ou não. No papel posso fazer com que algo seja muito real desde que o leitor não me conheça.

Quando algo está impresso adquire uma personalidade própria, além daquele que escreve e que denota uma espécie de credibilidade em quem lê.

As vezes parece loucura, as vezes penso que não sei nada, mas o que realmente importa é q vomito palavras que juntas até fazem algum sentido quando lidas.

Por hoje é só.

DIGRESSÕES I

OLÁ PARA TODOS QUE VIREM A LER ESSE TEXTO,
TENHO 27 ANOS E AINDA NÃO FIZ NADA QUE  REALMENTE  PRESTE NA MINHA VIDA, ACHO.



Quero escrever sobre o que vem à minha mente mas é tudo tão estranho, disperso, tamanho.....



Fico querendo saber a explicação do que não se explica. E todos parecem tão bem, certos de tudo: dos seus empregos, casamentos, dinheiro e saúde. Mas e daí? Essa certeza toda, do que se é, se tem e do que poderá vir a ter responde a mais duvidosa das dúvidas?

O que serei depois de tudo isso?

Será que será?

Mesmo?

Com garantia de que/quem?

É só nisso que venho pensando e não consigo chegar à conclusão nenhuma....Nenhuma religião me responde com certeza, apesar de serem benéficas para meu ser....

Na verdade, apenas atenuam o enoooormeee sentimeeento de solidão que se assola em meu ser...um sentimento de que tudo é ridículo e de que nada realmente faz sentido nesse macro-mundo de ilusões.
Posso estar sendo simplório e acho q realmente o estou mas tudo isso começou a martelar minha cabeça depois que comecei a perceber o quanto as pessoas não sabem o que estão fazendo...e nem se perguntam, nem notam...Apenas vivem, como todos,todos os dias , essa coisa mecânica e metódica de que chamam vida... Vida pra mim é uma palavra que traz lembranças de explosões, expansões, movimento, multiplicação...Ai que preguiça. Dá vontade de guardar tudo pra mim mesmo...RESUMINDO:QUERO EVOLUIR E ESTOU FICANDO LOUCO COM ESSA VIDA IGUAL , TODOS OS DIAS, MESES E ANOS É A MESMA COISA, NADA!!! PARECE QUE ESTOU EM DÉBITO COM O UNIVERSO. E SEI DISSO. E FUJO.POR MEDO DO NÃO-SABER AGIR.


Juiz de Fora, 20 de dezembro de 2004.





Jivan Maitreya

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mudança X Criatividade


"Se atravessarmos a nossa vidas convencidos de que a nossa é a melhor forma de agir no mundo, vamos acabar deixando passar todas as novas idéias que aparecem diariamente" (Akio Morita)

Somos como Ano Velho por isso tememos o novo

O que estou fazendo com as minhas partes que ficaram paradas?
O que você está fazendo com as suas?
O que estou fazendo para renovar o que há de antigo em mim, tão arraigado que até já suponho convicção?
O que você está fazendo com o que há de antigo em você e que talvez se exteriorize com a aparência de ser o mais moderno?
Somos como o ano velho. Como um montão de anos acumulados. Vivemos a repetir o que já sabemos, o que já experimentamos. Repetimos sentimentos, opiniões, idéias, convicções. Somos uma interminável repetição, com raras aberturas reais e verdadeiras para o novo, do qual cada instante está prenhe.
Somos muito mais memória do que aventura.
Somos muito mais eco do que descoberta.
Somos muito mais resíduo do que suspensão.
Somos indissolúveis, pétreos, papel carbono, xerox, copiadores automáticos de experiências já vividas, fotografias em série das mesmas poses vivenciais. Somos um filme parado com a ilusão de movimento. Só acreditamos no que conhecemos. Supomos que conhecer é saber.
O ser humano é feito de tal maneira inseguro que a sua tendência é sempre a de reter as experiências e fazer da vida uma penosa e longa repetição do já vivido. Adora repetir. Precisa porque não está preparado para o novo de cada momento, para o fluir do todo na direção da Transformação permanente. Ele é uma unidade estática e acumuladora, num cosmos mutante e impermanente.
Aceitar a mudança e a transformação parece ameaçar tudo o que o homem adquiriu e guarda com avareza, para tentar explicar a realidade e a vida. A realidade é mais rica que o instrumental guardado para explicá-la. Está sempre grávida de transcendência.
Aí está o grande dilema: explicamos o real só com a experiência, que só é válida no momento de sua revelação. Um segundo depois ficou parcial, realtiva, incompleta. Por isso é mais cômodo, fácil e simples cair na repetição do que já é, já sabe, já viveu. Chegamos a chamar de conhecimento o que é apenas cristalização de saber anterior. Tendemos ao conservadorismo: atingida conclusão, montados num sistema de interpretação da realidade, logo nos aferramos a ele (sistema) e aplicamos a todo o real. Se é lógico a mente se satisfaz e com isso nos supomos portadores da verdade.
O homem cria, a partir da verdade na qual crê e passa a repetir, escolas de pensamentos, doutrinas, religiões, ideologias, esquemas de interpretação do real, correntes, seitas, crenças, opiniões, convicções e até fanatismos.
Cria uma espécie de dependência das próprias verdades.
Passa de senhor a escravo, e quanto mais escravidão mental, mais sensação de liberdade.
Somos viciados nas próprias verdades e precisamos repetí-las para não cairmos no pânico da dúvida, na ameaça da mutação. Inventamos uma ilusão de paz grandiloquente. Seu nome: " coerência".
Coerência passa a ser grande virtude. " Fulano, conheço-o há trinta anos".
Sempre na mesma posição. "Tipo coerente está ali". Assim é alguém que fechou-se nas suas convicções.
Uma pessoa diz, com orgulho, que há quaretna anos torce pelo mesmo time.
Fico a pensar no que ela perdeu de vida, alegria e descoberta nesse tempo todo, de apreciar a qualidade dos demais, a beleza da camisa dos outros, as virtudes dos antagonistas, o estilo dos adversários.
No afã de querer a vitória das suas cores, quantas outras vitórias de outros deixou de fazer também suas, quantas alegrias perdeu.
A rigor não sabemos o que estamos fazendo para renovar o que há de mais antigo em nós.
Em geral, nada. Não me refiro ao que há de permanente, pois o ser humano é feito de permanência e provisoriedades. As permanências (ligadas a essência) devem ficar.
Mas as provisoriedades que se tornaram antigas que estão ali por nossa preguiça de examiná-las ou por medo de removê-las, precisam ser revistas, checadas, postas em discussão, em debate e arejamento.
A esperança dessa renovação tem nome: CRIATIVIDADE.
CRIAR É GANHAR DA MORTE. MORTE É TUDO O QUE DEIXOU DE SER CRIADO
AS soluções jamais se repetem. Nós é que nos repetimos por MEDO, comodismo, BURRICE.
Adoramos repetir, tememos renovar, por isso tanto sofremos.

VIDA É CRIAÇÃO E CRIAÇÃO É VIDA PARA CADA DESAFIO NOVO.

Arthur da Távola.

FELIZ MUDANÇA PARA TODOS!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 9 de abril de 2010


Saudades...
Há certas sensações para as quais não conseguimos dar um real significado.
O que eu estou sentindo agora, por exemplo...É um misto de bom e ruim, de falta e excesso... Gostaria de colocar esta sensação pra fora, apesar de gostar de sentí-la, já que me traz algumas certezas...
Certeza de que estou vivo.
Certeza do que gosto e preciso.
Certeza de amar...
E certeza de que sem não posso ficar...


Saudades


Queria que tudo o que se foi um dia voltasse de repente e inundasse meu coração e meus olhos .
Quando sinto saudades, parece que tudo realmente volta.
A infância pura e sem maldade que já se foi; meu avô artista com as unhas sujas...
O medo da noite, dos sonhos e a vontade de passar pra cama dos meus pais;
O cheiro do bolo peteleco saindo do forno, o barulho do chinelo da Lúcia, minha babá, subindo e descendo as escadas correndo...
Minha roupa em cima da cama separadinha pela minha mãe para ir ao teatro;
O esperar pelos presentes do dia das crianças, os ovos de páscoa e a batata frita que meu pai fritava às sextas-feiras lá em casa.
Tenho saudades do Cheplek, meu coelhinho imaginário. E saudades de poder imaginar e ser o que quiser.
Hoje, infelizmente, nos roubam o direito de sonhar, de ser novamente o que nunca deveríamos ter deixado de ser: crianças, puras e ingênuas.
Mas acho que é pra isso que existe a saudade. É um modo de secretamente termos de volta, por alguns milésimos de segundo que seja, o que já não alcançamos mais. Bom assim. Melhor tê-la. Faz bem à alma e o coração acalma...
Rodrigo de Alencar Mendes
Juiz de Fora, 18 de março de 2006.
18:37h
Casa dos meus pais.


*morrendo de saudades do que deixei de ser...
vida louca essa.