"Se atravessarmos a nossa vidas convencidos de que a nossa é a melhor forma de agir no mundo, vamos acabar deixando passar todas as novas idéias que aparecem diariamente" (Akio Morita)
Somos como Ano Velho por isso tememos o novo
O que estou fazendo com as minhas partes que ficaram paradas?
O que você está fazendo com as suas?
O que estou fazendo para renovar o que há de antigo em mim, tão arraigado que até já suponho convicção?
O que você está fazendo com o que há de antigo em você e que talvez se exteriorize com a aparência de ser o mais moderno?
Somos como o ano velho. Como um montão de anos acumulados. Vivemos a repetir o que já sabemos, o que já experimentamos. Repetimos sentimentos, opiniões, idéias, convicções. Somos uma interminável repetição, com raras aberturas reais e verdadeiras para o novo, do qual cada instante está prenhe.
Somos muito mais memória do que aventura.
Somos muito mais eco do que descoberta.
Somos muito mais resíduo do que suspensão.
Somos indissolúveis, pétreos, papel carbono, xerox, copiadores automáticos de experiências já vividas, fotografias em série das mesmas poses vivenciais. Somos um filme parado com a ilusão de movimento. Só acreditamos no que conhecemos. Supomos que conhecer é saber.
O ser humano é feito de tal maneira inseguro que a sua tendência é sempre a de reter as experiências e fazer da vida uma penosa e longa repetição do já vivido. Adora repetir. Precisa porque não está preparado para o novo de cada momento, para o fluir do todo na direção da Transformação permanente. Ele é uma unidade estática e acumuladora, num cosmos mutante e impermanente.
Aceitar a mudança e a transformação parece ameaçar tudo o que o homem adquiriu e guarda com avareza, para tentar explicar a realidade e a vida. A realidade é mais rica que o instrumental guardado para explicá-la. Está sempre grávida de transcendência.
Aí está o grande dilema: explicamos o real só com a experiência, que só é válida no momento de sua revelação. Um segundo depois ficou parcial, realtiva, incompleta. Por isso é mais cômodo, fácil e simples cair na repetição do que já é, já sabe, já viveu. Chegamos a chamar de conhecimento o que é apenas cristalização de saber anterior. Tendemos ao conservadorismo: atingida conclusão, montados num sistema de interpretação da realidade, logo nos aferramos a ele (sistema) e aplicamos a todo o real. Se é lógico a mente se satisfaz e com isso nos supomos portadores da verdade.
O homem cria, a partir da verdade na qual crê e passa a repetir, escolas de pensamentos, doutrinas, religiões, ideologias, esquemas de interpretação do real, correntes, seitas, crenças, opiniões, convicções e até fanatismos.
Cria uma espécie de dependência das próprias verdades.
Passa de senhor a escravo, e quanto mais escravidão mental, mais sensação de liberdade.
Somos viciados nas próprias verdades e precisamos repetí-las para não cairmos no pânico da dúvida, na ameaça da mutação. Inventamos uma ilusão de paz grandiloquente. Seu nome: " coerência".
Coerência passa a ser grande virtude. " Fulano, conheço-o há trinta anos".
Sempre na mesma posição. "Tipo coerente está ali". Assim é alguém que fechou-se nas suas convicções.
Uma pessoa diz, com orgulho, que há quaretna anos torce pelo mesmo time.
Fico a pensar no que ela perdeu de vida, alegria e descoberta nesse tempo todo, de apreciar a qualidade dos demais, a beleza da camisa dos outros, as virtudes dos antagonistas, o estilo dos adversários.
No afã de querer a vitória das suas cores, quantas outras vitórias de outros deixou de fazer também suas, quantas alegrias perdeu.
A rigor não sabemos o que estamos fazendo para renovar o que há de mais antigo em nós.
Em geral, nada. Não me refiro ao que há de permanente, pois o ser humano é feito de permanência e provisoriedades. As permanências (ligadas a essência) devem ficar.
Mas as provisoriedades que se tornaram antigas que estão ali por nossa preguiça de examiná-las ou por medo de removê-las, precisam ser revistas, checadas, postas em discussão, em debate e arejamento.
A esperança dessa renovação tem nome: CRIATIVIDADE.
CRIAR É GANHAR DA MORTE. MORTE É TUDO O QUE DEIXOU DE SER CRIADO.
AS soluções jamais se repetem. Nós é que nos repetimos por MEDO, comodismo, BURRICE.
Adoramos repetir, tememos renovar, por isso tanto sofremos.
VIDA É CRIAÇÃO E CRIAÇÃO É VIDA PARA CADA DESAFIO NOVO.
Arthur da Távola.
Arthur da Távola.
FELIZ MUDANÇA PARA TODOS!!!!!!!!!!!!!

